Encontro de Miracemenses - Como se fosse um filme
Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves dentro do coração, assim dizia a canção e foi o que fiz, guardei minhas amizades e por longos e longos anos, tranquei o peito e joguei a chave fora, e, como num filme italiano, daqueles chorosos com Mastroniani ou Cardinalli, vivi a sensação de rever todos estes amigos arquivados no chipp da memória e guardado no cofre do coração.
A festa do reencontro já estava no número cinco e eu, sem tempo na agenda, ainda não havia comparecido a nenhum, apenas visualizava as fotos, dos quatro anteriores, lia comentários dos anfitriões, organizadores e participantes e me sentia cada dia mais com o peito apertado e a saudade aflorada na alma.
Quem cantava chorou, ao ver o amigo partir, volto a Canção da América, do Milton Nascimento e Fernando Brant, para relembrar, em uma só pincelada, todos aqueles que estavam aqui no peito e se foram, deixando dor e saudade para a família e os amigos. E então, por que adiar ainda mais a necessidade de rever pessoas ausentes do meu cotidiano e presentes na minha história e na minha memória?
Pois é, mesmo que a distância diga não o importante é ouvir a voz que vem do coração e esta voz era de Marista Felix Linhares e, no outro canto, a do Hercules Salles Padilha, insistindo em refazer o convite para este velho amigo não faltar o encontro de número cinco, no Restaurante A Mineira, no Bairro de São Francisco, em Niterói.
Eu dizia, no primeiro tópico, que minha mente trabalhava como se assistisse a um filme e a primeira cena foi antológica, Júnior Abdala e Cida me esperavam, com o João Oliveira Alves, na porta do local do evento e depois de troca de abraços, choros e beijos, ouvi: "Estamos aqui a meia hora e apesar dos problemas dispensamos tudo para vir te abraçar e te rever", tem preço um negócio deste?
Cena 2 - Entrada no salão do restaurante titubiante, o coração batia descompassado e com aquele ritmo dos tambores marciais, meus pés deslizavam como se fossem dançar uma valsa, e, para ilustrar a dança, quem é que se levanta para o primeiro abraço na zona da confraternização? Maurício Siqueira, amigo fraterno da mana Eliane e que, na juventude era um tremendo "pé de valsa".
Cena 3 - - Quem é você? Me pergunta a moça a frente do Maurício.
Expliquei, me fiz entender e fui reconhecido. E você, que é? Devolvi.
- Sou Dilermária... e tentou explicar o que não era necessário, minha colega de sala, amiga de infância e aí foi mais um abraço apertado, mais lágrimas nos olhos e mais um nó na garganta.
Nesta altura já estava acomodado, um abraço aqui, onde estavam os miracemenses que ainda permancem na cidade e tenho o prazer de ver com mais frequencia, como o Armando Resende, Cacá do Suíço e suas esposas e parte das famílias, Josemar Poly e Regina, que me parecem ainda estão no Carmo, com amigos niteroienses, e, lá de longe, vem o grito que desperta e faz o coração bater novamente em ritmo acelerado.
Cena 4 - - Meu querido... meu amigo... você prometeu e cumpriu, seja bem-vindo ao grupo. Era Marista, no corredor, abrindo os braços para o abraço de recepção e o beijo de saudade.
Pausa para um chope, afinal é preciso recuperar as energias e começar a botar a conversa com Júnior, Cida e João em dia, era preciso ganhar todo o tempo do mundo porque o relógio não para, é como no futebol, que noventa minutos passam depressa quando seu time precisa de virar o placar.
Júnior pergunta: Vamos beber o que? Ele vai de uísque e Marina, que claro, estava comigo neste bom momento, falou: - Você já começou com a cerveja e não mude o cardápio. Certo, não se mexe em time que está ganhando, e lá veio o uísque do Júnior e o chope do Adilson. E ao chegar a caneca com a bebida loura, claro que o primeiro a ser lembrado foi o Chopinho Amim, bela figura e grande amigo e novamente as lágrimas de saudade brotaram no rosto.
Cena 5 - Procura por alguns amigos, que não via a mais de trinta anos, e perguntei pelo Walzenir Bruno, e a resposta do Hércules foi lacônica. - Ele está aqui, procure que você o encontra. Não dava para reconhecer o velho e saudoso amigo, são muitos anos sem um papo, um abraço ou mesmo ver uma fotografia e o jeito foi apelar.
- Ererê... Ererê... onde está o Ererê? Falei mais alto um pouquinho e, para minha surpresa e para minha alegria, o Walza estava próximo de mim, ao lado do Maurício Siqueira, e mandou de lá.
- Quem está lembrando de meu apelido de infância? Se aproxime para um abraço. E, ao me ver, saiu espontâneo o grito "fala Penacho", mas claro, ele foi avisado antes que o cara de barba branca era o Adilson do Zebinho, depois me confessou que não lembrava de minha fisionomia, o que é normal.
Encontrar minha prima, Cláudia Dutra, filha do Sebastião Dutra,figura doce e carismática, de quem tenho muita saudade, também foi um presendo deste encontro.
Cena 6 - Filme intenso, emoções afloradas e muita gente ainda para ser abraçada, fotografada e muitos outros para serem lembrados por todos os presentes. Outra vez, vindo pelo corredor central, único espaço disponível para a prosa e abraços, foco o olhar no Júlio César Barros, com estive faz um tempo bem grande, em Miracema, e pude reconhece-lo imediatamente.
Lembramos dos nossos bons momentos, de nossa vida esportiva intensa, das peladas do Rink e do Ginásio e os bailes dos grêmios. E aí pergunto: Júlio, onde anda o Ubaldinho? Será que vou ter o prazer de encontra-lo?
Nem esperei a resposta do amigo porque a nova surpresa acabara de acontecer, com aquele mesmo passo calmo, com aquele mesmo sorriso no rosto, acabara de adentrar ao recinto, ele, o procurado Ubaldo Moll Júnior, que para minha alegria me reconheceu e me deu um grande e fraterno abraço.
Amigo, não dava nem tempo de prosear com Cida e Júnior, mas mesmo assim falamos de tudo e de todos, sentimos saudades dos amigos e familiares que já se foram, choramos juntos a dor da ausência, rimos com nossos causos e momentos vividos na terrinha, e recordamos outros através da memória preservada apesar de já bem gasta pelo tempo.
- Quem mais está por aqui? Perguntei ao Hércules.
- Acho que você já viu todo mundo e falou com todos eles, certo?
- Certo, meu caro Hércules, e, voltando a falar com o Ubaldinho perguntei.
- E o Gilson, seu irmão, como está?
- Veja você mesmo, está logo aqui atrás de você.
E novamente à mesa do Mauricio Siqueira foi acionada e para lá me dirigi para fotos e abraços com o Gilson Moll e toda turma de amigos miracemenses que por alí estiveram e outros, que por ali passaram, como a Sebastiana Moreira e a Cremilda Tostes, que fizeram questão do abraço em Marina e as fotos tradicionais para marcar eternamente o 5o Encontro dos Amigos Miracemenses.
Faltou alguém? Esqueci de algum detalhe? E antes que chegue a cena final vamos viver a Cena 7 - Entra no salão uma das belas musas do nosso tempo na terrinha, Jane Neiva, bela e simpática como sempre e pronto, estava completa a festa e, felizmente, seu marido também não abre mão da prosa e do convívio com os miracemenses.
Cena final - Como em um bom filme ou novela tudo acaba em sorriso e alegria e as fotos, em conjunto, foram clicadas e lá pelas duas da manhã cada um procurou seu rumo e prometeram um novo encontro para um dia qualquer, a ser agendado pelos organizadores do envento.
Lindo Adilson!!! Daqui pude sentir a sua emoção e no próximo com certeza, não perderei por nada!!!
ResponderExcluirParabéns a todos pelo encontro e reencontro relatado pelo Bola de Ouro Adilson Dutra.
ResponderExcluirHoje compreendi por que os jogadores brasileiros choraram tanto durante a recente Copa do Mundo de Futebol. Aliás, tenho a impressão que somos o povo mais chorão do mundo, talvez por isso, temos o bonito gênero musical chamado chorinho.
Mas vamos voltar ao futebol ou não? Tem uma colocação postada para sua análise que fiz no dia 16/08. Aguardo resposta.
ResponderExcluirAbrs.
Categoria, tem três dias que não sei o que é uma notícia do futebol e por não ter visto nenhum jogo, não ter lido nada, não ter aberto sequer meus computadores, preferi falar do social. Vamos voltar a dura realidade, no momento estou vendo o Inglesão, Burney x Chelsea, e casa tá cheia e a bola rolando macia no belo gramado que é peculiar no futebol europeu. E aqui o Flamengo saiu da Lanterna, o Fluminense perdeu mais uma e o Vasco mostra a sua cara.
ResponderExcluirQuanto ao Eurico a Justiça já fez a parte dela e deixou o Roberto no devido lugar. Volto ao assunto logo mais.
Tá certo Dutra, acho que esse assunto, eleições no Vasco, mesmo sendo desagradável merece algumas considerações. Sefinho deu sua opinião, entendi o que disse, embora não concorde em sua totalidade, mas, no fundo, no fundo ele tem razão, pois uma entidade que espera solução naquele que foi a principal causa de seu declínio, é porque tudo parece perdido mesmo.
ResponderExcluirEuvírus Ebola ao voltar agravou ainda mais a saúde do Gigante da Colina. Desgraça pouca é besteira.