Revendo o tempo do bafo
Figurinhas, bafo e memórias Conversando com meu guru, Ermenegildo Sollon, que nesta semana anda saudosista demais, entrei na onda e voltei com ele aos grandes momentos da infância. Ele, menino nos anos 50. Eu, nos anos 60. Ambos correndo de padaria em padaria atrás das balas que traziam figurinhas de jogadores de futebol. Meu avô, o velho Vicente Dutra, sempre me salvava nessas horas. Com a cumplicidade da Vó Maria, soltava uma graninha para abastecer minha coleção de craques paulistas e cariocas. — Você teve sorte — resmunga Sollon. — Eu precisava ralar os joelhos nas calçadas, engraxando os sapatos dos frequentadores da missa de domingo, na Igreja Matriz. Naquele tempo, praticamente todo garoto era fissurado por figurinhas. Dida, Pepe, Zagallo, Vavá, Garrincha e, claro, o Rei Pelé eram figurinhas disputadíssimas. Algumas eram praticamente impossíveis de conseguir. Outras apareciam com mais facilidade, mas também entravam nas rodas do famoso “jogo do bafo”, onde quem tinha mãos ...