Deixe-me ir... preciso andar
A sexta-feira no Armazém não era apenas uma data no calendário; era um pequeno santuário erguido contra o peso da semana. As paredes de tijolo aparente, as mesas de madeira gasta e o cheiro de petiscos frescos compunham a trilha sonora silenciosa de uma amizade de longa data. A protagonista da noite, porém, era uma caixinha de som Bluetooth, discreta, sobre o balcão, que distribuía melodias com uma generosidade que desafiava seu tamanho reduzido. Quando os primeiros acordes de "Deixa-me Ir" ecoaram pelo ambiente, o barulhento Armazém pareceu filtrar suas vozes, permitindo que a poesia de Candeia tomasse o espaço. Aquela música não era um hino comum; era um mapa afetivo. Marco — o Vergalhão, figura esguia e de riso fácil que, naquela noite, parecia carregar o peso do mundo sob a camisa, parou o copo de cerveja no meio do caminho. Seus olhos encontraram os meus, e na pergunta dele, logo ali na mesa, notei uma vulnerabilidade que não costumava habitar sua voz firme: "O q...