76 anos em Movimento - Capítulo 2
“ O Menino das Ruas de Terra e dos Sonhos Grandes” Antes dos aeroportos, dos hotéis e das multidões, havia ruas de terra batida. Antes dos microfones e dos prêmios, havia uma bola surrada. Antes das viagens internacionais, havia sonhos que mal cabiam no quintal. Eu fui um menino comum. Mas carregava dentro do peito uma inquietação que não me deixava pequeno. Os dias começavam cedo. Futebol na rua, no campinho improvisado, no time do Bitico. Depois o Vasquinho, o Esportivo, o Tupan. Cada camisa vestida era mais que tecido — era identidade. Era pertencimento. Era a esperança silenciosa de ir além. Houve também a tentativa no Vasco da Gama. Não deu certo. E tudo bem. Nem toda porta aberta leva ao nosso destino. Algumas apenas confirmam que o caminho é outro. À noite, a vida mudava de cenário. Os bailes no Aeroclube. As serestas nas ruas. As rodas de violão no jardim. Os Grêmios cheios de juventude e expectativa. Ali, entre uma música e outra, eu aprendia algo que não estava nos livro...