Eu e o rádio esportivo
O tempo em que o rádio narrava o coração Sempre gostei de revisitar o tempo em que o rádio esportivo reinava absoluto. Décadas de 60, 70 e 80 — ali, meu amigo, o futebol não era apenas visto, era imaginado. E talvez por isso mesmo, sentido com mais intensidade. Era o rádio que abastecia os jornais, que formava opinião, que levava notícia fresca para quem não arredava o pé antes de ouvir o Panorama Esportivo, da Rádio Globo — aquele ritual das 23h que só terminava quando o sono já brigava com a paixão. E me diga, com toda sinceridade: quem nunca colou um radinho de pilha no ouvido dentro do estádio? Ou mesmo em casa, acompanhando pela TV Rio, mas confiando de verdade era na voz que vinha do rádio? Você que está lendo agora sabe bem do que estou falando. Já vibrou com Jorge Curi, já se arrepiou com Waldir Amaral, já acompanhou os detalhes com Doalcei Camargo ou Clóvis Filho. E depois vieram os mais “novos”: José Carlos Araújo, Edson Mauro, Luiz Penido — cada um com seu estilo, todo...