Luto: Morre Athayde Souza
Athayde, o marcador que a vida não dribla
Hoje Miracema amanheceu diferente.
A partida de Athayde me pegou de surpresa. E por alguns segundos fiquei imóvel, como atacante tentando achar espaço diante de um marcador daqueles que não facilitavam. Porque Athyde, dentro de campo, era assim: firme, duro na marcação, difícil de passar.
Jogamos juntos. Jogamos contra. E quem enfrentou sabe — não havia bola perdida para ele.
Mas o tempo passou. As chuteiras foram ficando de lado. E, nos últimos anos, quando nos encontrávamos, o assunto era sempre o mesmo: recordar nosso tempo de bola. Cada lance virava epopeia, cada jogo ganhava ares de final de campeonato. A memória fazia o que o corpo já não fazia mais — corria solta pelo gramado do passado.
E então os olhos dele brilhavam ao falar da família. Um verdadeiro celeiro de craques. Ali estava seu maior orgulho. Mais do que vitórias, mais do que títulos, era ali que ele via o jogo continuar. O futebol como herança, como sangue, como continuidade.
Athayde foi marcador implacável, treinador exigente, parceiro leal. Mas, acima de tudo, foi homem de valores — daqueles que entendiam que o futebol forma caráter antes de formar atleta.
Hoje dói. Porque sempre achamos que haverá outro encontro, outra conversa na calçada, mais uma resenha para rir das nossas próprias histórias.
Mas fica a gratidão.
Fica a lembrança.
E fica a imagem dele organizando o time lá no alto, fechando os espaços e mantendo a defesa bem postada — porque, mesmo na eternidade, passar por Athyde não deve ser fácil.
Comentários
Postar um comentário