Um papo Glorioso

Ontem, na conversa antes da missa na Igreja Santo Afonso, onde fui acompanhar a celebração de sétimo dia pela alma de Pessanha Filho — meu velho e querido companheiro de quarenta anos de rádio e de vida — proseávamos no pátio quando chegou um senhor, andando firme e em boa forma física, mas dizendo:  

— Minha memória anda fraca… Mas você é o Adilson Dutra, amigo do Moreno (Pessanha), não é?  

Era o seu Belmiro, já com quase noventa anos, segundo ele. Pela minha impressão, parecia ter um corpinho de oitenta. Mas vamos ao que interessa: vestia uma camisa do Americano, clube do coração por ter as cores preta e branca, como o seu Botafogo, conforme me contou. E queria saber que decisão era essa que o Glorioso de General Severiano, como ele mesmo disse, jogaria amanhã.  

O senhor não acreditava que fosse a decisão do Campeonato Carioca, como afirmava o neto. Mas, sábio e esperto, ao me reconhecer foi logo perguntando sobre a tal decisão. Claro que o abracei com alegria, ficamos felizes em nos reencontrar e expliquei:  

— A decisão de amanhã entre Botafogo e Bangu não tem muito valor. É apenas entre dois dos quatro clubes que não chegaram às finais e também não disputaram a repescagem, aquela que rebaixa um para a segundona do Rio.  

Ele, lúcido mas mal informado, ao saber da verdade virou-se abruptamente para o neto e disse:  

— Não adianta me enganar. Tenho amigos na imprensa que me informam. Pode devolver meu radinho de pilha. Adilson Dutra, onde está trabalhando?  

Ao saber que já me aposentei e que agora escrevo apenas no nosso blog, diariamente, encerrou o papo e se virou para o garoto:  

— Quero um negócio desses para ler as notícias. Amanhã vamos à loja comprar esse tal de computador.  





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