Bife, Saudade e Conversa Fiada (da boa)

 Bife, Saudade e Conversa Fiada (da boa)

Sábado, 6 de agosto. Corrida de São

Salvador rolando solta lá na nossa Formosa, e eu, como manda o figurino, sentado com a turma do Armazém na Pracinha do Sossego, encostado no quiosque do Eraldo.

Cerveja indo, conversa vindo… quando o Motta solta: — Você conheceu o Bar do Lomeu? O melhor bife de Campos era lá!

Eu, na lata: — Rapaz… não tive essa honra, não. Mas olha… queria, viu?

Porque, convenhamos, bife bom a gente respeita. E já fui logo puxando sardinha pro meu lado: — Mas bater o do Farid, lá de Miracema… aí já é outra conversa…

E nisso, sem pedir licença, a memória entrou na roda.

Veio na cabeça o Irajá Carneiro, figuraça. Toda vez que me via, mandava: — Gosto de ir a Miracema pra comer em pa...

E eu, burro velho, anos achando que o homem falava “empada”. Ficava doido: “Que empada é essa, meu Deus, que eu nunca vi?”

Demorei… mas um dia descobri.

Foi lá no Bar Capital, entre uma coxinha quase do nível do Zé Careca e outra cerveja. Ele soltou de novo a frase, e eu não perdoei: — Fala direito, Irajá! Que empada é essa?

Ele riu, quase me chamando de ignorante: — Que empada, rapaz! É pra comer EM PÁDUA! Braga Hotel… Hotel São José… melhor feijão do Brasil! E olha que eu já rodei esse mundo!

Aí não tem argumento. Irajá era tipo selo de qualidade.

A mesa esquentou.

Começamos a viajar: — E o Monte Líbano, hein? — alguém puxou.

Rapaz… só de lembrar dos quibes e das esfirras já dá vontade de pedir uma rodada só de respeito. Isso sem falar no homus do Seu Abdo, lá na Rua Direita, em Miracema… aquilo não era comida, era patrimônio.

E foi virando desfile de saudade:

— Chapa de boi do Pracinha! — Bife de porco no pão do Zé Careca! — Pernil do Toninho Richard, feito pela Dona Beleza!

Aí eu te pergunto: tem disso hoje? Tem nada… ou se tem, não é igual.

Nessa hora, o Motta pede um fígado acebolado.

Pronto.

Acabou comigo.

Na mesma hora fui parar no Bar Leader, madrugada, eu e Elierto mortos de fome, chegando de Pádua… e o Angeludo mandava aquele fígado que, meu amigo… nunca mais apareceu outro nem pra disputar.

Enquanto isso, na mesa das mulheres, saiu uma salada. Quando chegou… triste. Tomate ali, meio sem vontade, tempero que nem Deus ajudava.

A Marina, de longe, já mandou: — Adilson! Fala pra eles que salada boa era a do Pracinha! A do Jofre! Aquilo sim era SALADA FRANCESA!

E era mesmo. Aquilo ali resolvia até problema de casamento.

A conversa já tava naquele ponto bom — meio exagerada, meio verdadeira, totalmente gostosa — quando o Cacá Motta inventa de trazer o Rio de Janeiro pra disputa.

Aí já viu…

Pedi licença, fui ao banheiro, respirei fundo e, quando voltei, fiz o que qualquer cidadão sensato faria:

— E o Flamengo, hein?

Porque se deixasse, eu ainda ia lembrar do Soninha, do Stein, dos pastéis da minha avó, dos bolinhos de mandioca da minha mãe, do bar do meu avô Vicente Dutra…

E aí não era mais crônica.

Era recaída braba.

Então é isso.

Melhor falar de futebol.

Mas ó… entre nós aqui…

Se aparecer hoje um bife desses todos que a gente falou…

Eu largo até o Flamengo de lado.

(Só não espalha.)

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