S.O.S Aero Clube
AERO CLUBE DE MIRACEMA: ENTRE A MEMÓRIA E O ESQUECIMENTO
Há textos que o tempo leva.
Outros… o tempo apenas confirma.
Volto a escrever sobre o Aero Clube de Miracema. Não por nostalgia gratuita, nem por apego exagerado ao passado. Volto porque nada mudou.
E, quando nada muda, a gente começa a entender que o risco não é apenas o abandono físico — é o esquecimento.
Anos atrás, escrevi um pedido de socorro. Um grito, talvez. Daqueles que a gente lança esperando eco. Esperando que alguém ouça, se incomode, se mova.
Mas o tempo passou… e o silêncio respondeu.
O Aero Clube segue lá. De pé — ainda. Resistindo mais pela teimosia da estrutura do que pela ação dos homens. Um lugar que já foi símbolo de encontros, de celebrações, de vida social intensa, hoje parece caminhar lentamente para se tornar apenas uma lembrança.
E que lembrança.
Ali aconteceram bailes que marcaram gerações. Os inesquecíveis Bailes de Debutantes. Os carnavais que misturavam música, suor e paixões que começavam na pista e atravessavam a vida. As domingueiras dançantes, onde a juventude descobria o mundo — e, muitas vezes, o amor.
Não era só um clube.
Era um capítulo inteiro da história de Miracema.
E talvez seja isso que mais assuste: a possibilidade de que tudo isso se resuma a relatos, a fotografias amareladas, a conversas de quem ainda lembra.
Porque lugares também morrem.
Primeiro no cuidado. Depois na importância. E, por fim, na memória coletiva.
Não sei, ainda hoje, a quem cabe agir. Não sei quem tem a chave, a responsabilidade, ou o poder de mudar esse destino. Mas sei que a omissão também constrói ruínas.
E talvez este texto já não seja mais um pedido de socorro.
Talvez seja um registro.
Um daqueles que, no futuro, alguém vai ler e dizer:
“Eles sabiam… e mesmo assim deixaram acabar.”
Tomara que não.
Ainda dá tempo de transformar abandono em reconstrução. Esquecimento em resgate. Indiferença em atitude.
Ou não.
E aí, restará apenas a história.

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