Achados e não perdidos

 ACHADOS E NÃO PERDIDOS — (ou: quando o rádio era aventura)

Hoje é dia de rebobinar a fita e puxar da memória alguns lances do meu tempo de rádio, lá na terrinha, quando a gente fazia o impossível para levar alguma novidade à turma do esporte.

E foi justamente num desses jogos de Eliminatórias, no Morumbi, que a Princesinha fez sua estreia fora do nosso território.

Brasil x Bolívia.

Lá estava este repórter, entre entrevistas e tentativas quase frustradas de chegar perto de Telê Santana — treinador que não gostava muito de falar fora da coletiva. Fui ao seu encalço. No caminho, encontrei o zagueiro Mozer, que dois anos antes havia passado por Miracema com a seleção de juniores do Rio.

Papo vai, papo vem… veio também o pedido de ajuda.

E não é que funcionou?

No início, Telê se esquivou. Mas quando soube que nossa cidade era menor do que sua Itabirito, em Minas, parece que amoleceu. Talvez tenha sido solidariedade, talvez curiosidade… ou só o charme da insistência bem-humorada.

Resultado: sentou-se ao meu lado, no balcão do bar do Hotel Brasilton, e falou por meia hora para a Rádio Princesinha — com exclusividade — contando histórias que, segundo ele, nunca havia dividido nos microfones brasileiros.

Um papo histórico.

Que poderia estar gravado.

Mas este país sem memória ainda não aprendeu a cultivar acervos, a preservar suas próprias histórias. E assim, muita coisa boa fica apenas na lembrança de quem viveu.

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