Um ano de felicidades intensas na Rádio Princesinha, na minha Miracema. Até que um confronto de egos — entre mim e Renato Mercante — provocou a debandada da equipe de esportes para a Rádio Feliz, da vizinha Santo Antônio de Pádua.
A passagem por lá foi curta. Exigências contratuais, acertos de paz com Renato… e voltamos. Mas voltamos diferentes. Voltamos com meta definida:
Agora é do Maracanã.
Orlando topou. E a chama reacendeu.
Primeira reunião: Adilson Dutra, José Luis da Silva, Francisco David e Wellington Ronzê. À mesa, Orlando Mercante. E, claro, o nosso mago do som, Chiquinho Titoneli.
Foi ele quem decretou, com segurança técnica:
— Temos condições de falar direto do Maracanã.
As credenciais ficaram por minha conta. Contato com Luis Mário Concebida, representante da Acerj (Associação dos Cronistas Esportivos do RJ) em Campos. E foi dada a largada.
Jogo escolhido: 18 de novembro de 1984.
Botafogo de Futebol e Regatas x Fluminense Football Club, pelo Campeonato Carioca de Profissionais.
Mas o que importa aqui não é a partida.
O que importa são os bastidores.
A emoção da equipe.
A vibração da cidade.
O orgulho de sermos os primeiros da Região Noroeste Fluminense a falar, ao vivo e em som claro e limpo, do Maracanã.
Os apoiadores foram fundamentais: João Poeys, Wilson Marinho e Ivany Samel, então prefeito, que garantiram viagem, alimentação… e a cervejinha pós-jogo, claro.
Carrapetas montadas. Equipamento pequeno, rústico. Uma pasta quase 007, como dizia Chiquinho.
E o espanto da parte técnica da Rádio Tupi: não acreditavam que daquele conjunto modesto sairia transmissão limpa.
Saiu.
Som firme. Voz segura. Cidade parada naquele domingo à tarde. Dizem que tivemos 90% da audiência. Eu acredito. Estava narrando.
Foi aventura? Foi.
Foi surpresa dar tudo certo? Talvez.
Mas foi, acima de tudo, realização.
Entrevistas incríveis de Zé Luis e Wellington.
A palavra serena e sábia de Chico David.
E depois… o jantar numa churrascaria famosa em Niterói.
Ali deixamos a tensão.
Ali entendemos que tínhamos feito história.
Naquela tarde de 18 de novembro de 1984, não era apenas Botafogo de Futebol e Regatas x Fluminense Football Club no gramado do Maracanã.
Era Miracema falando para o mundo.
Era uma equipe pequena, com equipamento modesto e coragem gigante, provando que distância geográfica não limita sonho.
O som saiu limpo. A transmissão correu firme. A cidade ouviu.
E quando deixamos o estádio e seguimos para o jantar em Niterói, já não carregávamos tensão. Carregávamos certeza.
Naquele domingo, não fomos apenas narradores, comentaristas ou técnicos de som.
Fomos pioneiros.
O Noroeste Fluminense, pela primeira vez, falava ao vivo do Maior do Mundo.
E falava bem.
BOTAFOGO X FLUMINENSE (RJ)
Data – 18 / 11 / 1984
Local – Maracanã (público - 49.886)
Árbitro – Wilson Carlos dos Santos
Competição – Campeonato Carioca
Botafogo – Luiz Carlos, Josimar (Miranda), Marinho, Brasília e Wagner
Pepeta; Ademir Fonseca, Alemão e Berg; Helinho, Baltazar e Luizinho das
Arábias (Ataíde). Técnico: Orlando Fantoni.
Fluminense – Paulo Vítor, Leomir, Duílio, Vica e Branco; Jandir (Pintinho),
Renê e Assis; Romerito, Washington e Tato (Paulinho). Técnico: C. A. Torres.
Gols – Helinho (2) e Baltazar (2) p/o Botafogo; Washington (2) p/o
Fluminense.
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