Jogo feio e placar justo

 Vasco vira, mas o futebol perde

O futebol brasileiro pede socorro. E não é de hoje. A cada rodada do Brasileirão, cresce a sensação de um espetáculo travado, mal conduzido e cada vez mais distante do que o torcedor merece ver.

Em São Januário, o que se viu foi um retrato fiel desse momento. A festa ficou por conta da torcida do CR Vasco da Gama, que fez sua parte com arquibancadas pulsando e apoio incondicional. Dentro de campo, porém, o cenário foi outro: um jogo pobre, amarrado e tecnicamente decepcionante.

O São Paulo FC abriu o placar cedo — e, curiosamente, ali terminou sua proposta de jogo. Optou pelo anti-jogo sem qualquer constrangimento: cera, quedas constantes, reclamações e um claro desinteresse em competir. Jogar futebol virou detalhe.

E quando o jogo pede pulso, entra a arbitragem. Ou deveria entrar. Sávio Pereira Sampaio mais uma vez esteve abaixo do que se espera. Inseguro, permissivo, lento nas decisões. O pênalti para o Vasco foi claro — mas precisou de uma eternidade para ser confirmado. Não é só acertar; é dar confiança ao jogo. E isso tem faltado.

O empate veio. E o São Paulo, confortável até com o 1 a 1, seguiu sem jogar. O futebol, que às vezes demora mas não falha, cobrou a conta. O Vasco virou. 2 a 1. Justiça no placar.

Mas que não se esconda o principal: o resultado não apaga o problema. O futebol brasileiro está refém de uma arbitragem que precisa, urgentemente, de profissionalização, critério e comando. Sem isso, o jogo vira coadjuvante de apitos, reclamações e paralisações.

E o torcedor, que deveria ser o protagonista, fica com o pior papel: o de espectador frustrado.

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