Hoje e dia de Fla-Flu

 Uma das minhas pautas favoritas, aqui no blog — e também nos tempos em que escrevia para os jornais, onde trabalhei por longos anos — sempre foi o Fla-Flu. Não existe, no Brasil, um jogo com esse apelo, com esse charme. Nem mesmo o Choque-Rei, em São Paulo, o Gre-Nal, em Porto Alegre, o Atle-Tiba, em Curitiba, ou o Galo x Raposa, em Belo Horizonte, carregam o peso e a magia de um Fla-Flu no Rio de Janeiro — e, por que não, em todo o país.

Tenho dezenas de crônicas, textos e até registros históricos desses clássicos publicados na Folha, no Diário, no Dois Estados e até em jornais capixabas, onde colaborei por algum tempo. Já contei, inclusive, sobre o primeiro jogo que assisti no Maracanã: aquele 0 a 0 de 1963, em que Marcial brilhou e o Rubro-Negro ficou com o título.

Tem também a história do goleiro Dominguez — argentino, como Fillol e o atual Rossi. Diziam que estava “vendido”. Nunca tive como provar, e por isso sempre preferi chamá-lo de irresponsável. Fica mais justo… ou menos injusto.

Mas a melhor história veio em janeiro de 2009. Um Fla-Flu inesquecível — e uma crônica também, ao que parece. Tão inesquecível que acabou “republicada” por um famoso escritor campista… com a assinatura dele. O azar foi colar o texto justamente em um bar onde eu apareceria na semana seguinte. Nunca mais falou comigo. Mistérios — ou nem tanto — da literatura de balcão.

E o jogo?

Ah, o jogo foi daqueles.

Eu estava em Atafona, num show da Rita Lee, justamente no horário do Fla-Flu. Fiquei um pouco, mas a bola chamava mais alto. Fui até o quiosque do Silvio acompanhar a partida. Flu 1 a 0, Flu 2 a 0… depois 2 a 1. Primeiro tempo movimentado, mas com cara tricolor.

Fui chamado no som: hora de ir embora. E o Fluminense ainda fez 3 a 1 antes do intervalo. Jogo resolvido? Parecia.

Esperei a turma — dois amigos e Marina — e seguimos para o carro. Já na metade do segundo tempo, pegamos a estrada rumo a Campos. No rádio? Nada de futebol. O dono do carro preferiu Rita Lee.


Mas futebol não se esconde.


Na reta do meu edifício, ouvi gritos. Falei na hora: gol do Flamengo. Lúcia, nossa amiga, respondeu, desanimada, que devia ser o quarto do Fluminense.


Entramos na rua da igreja do Sagrado Coração, e eu disse, já em tom de certeza: — O Flamengo virou. Tricolor não grita assim.


E então veio a confirmação: uma bandeira rubro-negra surgiu na rua.


Sim, virou.


Adriano Imperador, duas vezes. E Vagner Love completou a obra.


Um daqueles jogos que só o Fla-Flu explica.


E hoje? Tem favorito? Tem: o Flamengo.


Vai ser campeão?


Aí… já é outra história.


Melhor esperar. Porque, em se tratando de Fla-Flu, a lógica costuma entrar em campo só para assistir.


Para o site GF Esporte 

Uma das minhas pautas preferidas — no blog e nos tempos de jornal — sempre foi o Fla-Flu. E não adianta tentar comparar. Podem espernear em São Paulo com Choque-Rei, no Sul com Gre-Nal, em Minas com Galo e Raposa… nenhum deles tem o charme, o veneno e a alma de um Fla-Flu.

O Fla-Flu não é só um jogo. É um estado de espírito.

Tenho dezenas de textos sobre o clássico espalhados por jornais e blogs. Já contei do meu primeiro no Maracanã, aquele 0 a 0 de 1963, com Marcial fechando o gol e o Flamengo campeão. Já falei de goleiro suspeito, de história mal contada, de memória que o tempo não apaga.

Mas tem uma que sempre volta.

Janeiro de 2009.

E aqui começa a parte boa — dentro e fora de campo.

Fui a um show da Rita Lee, em Atafona, justo no horário do jogo. Erro estratégico. Saí antes e fui para o quiosque do Silvio. Quando cheguei: Flu 1 a 0. Pisquei: 2 a 0. Ainda deu tempo de ver o 2 a 1. Jogo aberto… mas com cara de que o Fluminense ia passear.

E passeou — pelo menos até o intervalo: 3 a 1.

Fui embora.

Sim, fui embora de um Fla-Flu com 3 a 1 contra.

No carro, rumo a Campos, o rádio resolveu conspirar: nada de futebol. Só Rita Lee. Um sacrilégio.

Mas Fla-Flu não precisa de transmissão. Ele avisa.

Na reta do prédio, ouvi gritos. Falei na hora: — Gol do Flamengo.

Lúcia, tricolor até na tristeza, respondeu: — Deve ser o quarto do Fluminense.

Entramos na rua da igreja, e eu criei coragem: — Virou. Isso não é grito de tricolor.

E não era mesmo.

Uma bandeira rubro-negra confirmou o que o ouvido já sabia.

Adriano Imperador resolveu brincar de imperador — duas vezes.

E Vagner Love terminou o serviço.

Virada. Daquelas que humilham a lógica e alimentam a história.

Ah, e teve ainda o capítulo paralelo: minha crônica sobre esse jogo foi “adotada” por um conhecido escritor campista. Assinou como se fosse dele. O azar foi me encontrar dias depois no bar.

Nunca mais me cumprimentou.

O futebol perdoa quase tudo.

A literatura… nem sempre.

E hoje tem mais um Fla-Flu.

Tem favorito? Claro que tem. O Flamengo.

Mas quem aposta demais em favoritismo nesse clássico geralmente aprende da pior forma.

Porque o Fla-Flu não respeita tabela, elenco, momento ou estatística.

Respeita só uma coisa:

A chance de aprontar.

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