Brasileirão:Pague quatro e veja dois

 Eu juro que tento maneirar nas críticas à tabela. Tento mesmo. Mas a Confederação Brasileira de Futebol parece fazer um esforço admirável… para irritar quem sustenta o espetáculo.

Porque não é possível.

O sujeito paga PPV, separa o sábado, ajeita a agenda, prepara o sofá — e ganha de presente o direito de escolher o que não ver. É quase um reality show: “decida qual jogo você vai perder hoje”.

Às 18h30, por exemplo, entram em campo, ao mesmo tempo, Vasco da Gama x São Paulo Futebol Clube e Botafogo de Futebol e Regatas x Chapecoense.

Coincidência? Não. É método.

O jogo do Vasco tem cara de casa cheia, clima de decisão, daqueles que pedem o Maracanã tremendo. Mas fica comprimido em São Januário, com público limitado e, claro, concorrendo diretamente com outro jogo relevante.

Já o Botafogo, favorito em Chapecó, entra em campo no mesmo horário — porque, afinal, por que facilitar?

E quando você acha que pior não fica, vem a programação da noite, com aquele toque de “gênio incompreendido”:

Vitória x Corinthians às 20h.

Cruzeiro x Grêmio às 20h30.

Trinta minutos de diferença. TRINTA.

Tempo suficiente para quê? Para trocar de canal no intervalo e fingir que está tudo resolvido?

Dos quatro jogos, só um tem favorito claro — o Botafogo. Nos outros três, equilíbrio total, exatamente o tipo de partida que o torcedor quer acompanhar sem dividir atenção.

Mas a lógica é outra. Aqui, o produto é vendido como premium… e entregue em parcelas conflitantes.

Depois se perguntam por que o torcedor reclama, por que procura alternativas, por que se afasta.

Não é falta de amor pelo futebol.

É teste de paciência.

E, sinceramente, a do torcedor brasileiro anda sendo tratada como infinita.

Depois se perguntam por que o torcedor reclama, por que procura alternativas, por que se afasta.

Não é falta de amor pelo futebol.

É falta de respeito.

E quem organiza segue jogando contra o próprio jogo.



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