Derby sem alma
Derby para esquecer (ou para cobrar)
O futebol brasileiro anda mesmo decidido a testar a paciência do seu público. Neste domingo, mais uma vez, fez questão de complicar o que deveria ser simples: espalhou jogos em horários sobrepostos e obrigou o torcedor a fazer malabarismo. Fiquei com Flamengo x Fluminense, mas dei minhas escapadas para o Derby entre Corinthians e Palmeiras.
Confesso: talvez eu devesse ter ficado onde estava.
Porque o que apareceu na tela, do outro lado, foi um clássico sem grandeza. Um jogo travado, pobre tecnicamente e, pior, carregado de uma postura que nada tem a ver com quem se coloca como protagonista do campeonato.
O Palmeiras — tão elogiado, tão temido — resolveu trocar futebol por reclamação. Jogadores cercando árbitro, pressionando, tentando empurrar decisões no grito. Um comportamento que não combina com quem veste a fantasia de melhor time do país.
E aí vem o detalhe que desmonta qualquer defesa: vantagem numérica por boa parte do jogo. Onze contra nove. Era o cenário perfeito para confirmar força, impor ritmo, decidir a partida.
E o que veio?
Nada.
Nenhuma imposição, nenhuma criatividade, nenhuma fome de vencer. Um 0x0 burocrático, frio, incapaz de justificar o rótulo que carrega.
Não foi um empate daqueles duros, disputados, dignos. Foi um empate vazio.
E quando um clássico vira isso, ele deixa de ser espetáculo e passa a ser dívida.
Dívida com o torcedor que paga ingresso. Dívida com quem para diante da televisão esperando ver futebol de verdade. Dívida com a própria história do Derby.
Lembrei de Zé Maria de Aquino, com sua frase direta, sem rodeio: em jogos assim, o correto seria devolver o dinheiro.
Talvez seja exagero.
Mas depois do que se viu, parece mais justiça do que ironia.

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