Torcedor esquece, eu lembro

 Da série “sou Flamengo e tenho uma nega chamada Tereza”, do tijucano Jorge Ben — parceiro das peladas na Tijuca —, como o meu amigo Yussef Salim, o Sefinho, que me resgata aqui um debate eterno: qual foi o pior ataque da história do Flamengo?

Durante muito tempo, tive convicção. Para mim, nada superava aquele desastre recente da era Mano/Pelaipe. Mas o tempo — e a memória — são traiçoeiros. Revendo 2013 e puxando o fio até 1971, começo a desconfiar que sempre dá pra piorar.

E como dava.

Corria 1971, minha fase carioca raiz. Rua José Higino, em frente à Brahma, Maracanã como extensão de casa. Era sair de Copacabana e cair nas gerais do Mário Filho como quem entra no quintal. Futebol era rotina, vício e linguagem.

Nas peladas do quartel dos bombeiros, entre uma dividida e outra, a resenha corria solta. Flamengo, Vasco, Fluminense… e um Botafogo que naquele ano jogava um absurdo, até perder um Carioca que seus torcedores juram, até hoje, ter sido roubado pelo gol de Lula.

Mas voltemos ao ponto.

O Flamengo de 71 tem defesa: ganhou o Torneio do Povo e tinha Doval, o que já basta para qualquer absolvição parcial. Mas também carregava seus pecados — e alguns bem pesados. Laterais em fim de carreira, elenco irregular e um ataque que, convenhamos, não metia medo nem em defesa de pelada.

Ademir, Michila, Adãozinho e Caldeira.

Ruim? Calma.

E Vicentinho, Milton, Fio e Tião? Ajuda ou piora?

A verdade é que aquele time só não afunda de vez na história porque tinha gente como Rodrigues Neto, Doval, Zanata e o velho Liminha segurando o rojão com dignidade.

Porque o resto… era sofrimento.

Se hoje a gente reclama — e com razão — de certos nomes recentes, em 71 o pacote incluía figuras como Ubirajara Alcântara (sim, o do concurso do Chacrinha), Onça, Tinho e Tinteiro. E olha… era de doer.

O Onça, aliás, conheci fora de campo: figuraça. Dentro dele, me tirava do sério. Daqueles que fazem qualquer torcedor perder a compostura — ganha fácil de muito zagueiro ruim que a gente já xingou por aí.

E ainda tinha Reyes, o paraguaio da raça, daqueles que a torcida abraça mais pelo espírito do que pela bola. Tipo Rondinelli. Ídolo? Sim. Craque? Nem tanto.

Por isso, cravar o pior time da história não é simples.

Mas se a pergunta for direta — e ela é — a coisa afunila:

Rafinha, Hernane, Moreno e Paulinho… ou Zélio, Caio, Fio e Caldeira?

Meu amigo… escolha seu sofrimento.

Porque, no fim das contas, ser Flamengo também é isso:

lembrar, comparar… e sobreviver.

Fala aí, Sefinho. Quem ganha essa? 🔴⚫

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