De bar em bar vivendo a vida
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SEGURA NO BALCÃO DO BAR
Tenho sempre o hábito — ou melhor, o prazer — de visitar um bar, uma cantina ou um restaurante durante minhas viagens.
Um vinho, uma cerveja, um café, um quitute qualquer — mas, de preferência, aquele que o morador aponta com convicção:
— Esse aqui você precisa provar.
Foi assim em Sintra, Portugal.
Disseram-me que ali estava o melhor bolinho de bacalhau da região, acompanhado da melhor cerveja portuguesa.
Fui conferir.
Pode até não ser o melhor — essas coisas são sempre discutíveis — mas naquele momento, posso garantir: o vinho desceu redondo… e o bolinho, então, nem se fala.
Seguir viagem depois disso ficou bem mais fácil.
Um café também tem seu valor.
E, em Latina, na Itália, provei um expresso daqueles que não pedem licença: chegam chegando.
Forte, encorpado, direto.
Perfeito para quem encara uma viagem de vinte e dois dias pela Europa.
Porque já tinha experimentado algo parecido em Sermoneta.
E gostei.
Sermoneta… ah, Sermoneta.
Cidade medieval, daquelas que parecem cenário de filme, mas são de verdade.
Fomos recebidos de braços abertos pelo primo Miguel, que nos levou ao Bar Mercanti, antigo reduto de mercadores dos tempos do Império Romano.
Ali tomei um café inesquecível.
Não sei se era o grão, o preparo ou o ambiente, mas sei que nunca mais encontrei outro igual.
Talvez por isso tenha tentado repetir a dose em Latina.
Andar pela Via Ápia, depois subir até aquela cidade carregada de história, não estava no roteiro oficial.
Mas foi presente.
E dos bons.
Em Florença, com a Catedral Duomo ao fundo, eu me peguei quase cantando:
— “Um chope pra distrair…”
E não era força de expressão.
Depois de andar, me perder, ser procurado pelo grupo — eu e o gaúcho Roberto —, nada mais justo do que parar.
Sentamos em uma cantina típica italiana, com Denis e Lúcia, mineiros de BH.
Antes de qualquer vinho ou queijo, pedi o que naquele momento fazia mais sentido:
Uma cerveja.
Para refrescar a cabeça e preparar o corpo para mais um dia de caminhada.
Viagem também é isso: saber a hora de parar.
Mas nem só de viagens vive o balcão.
Às vezes ele está mais perto do que a gente imagina.
Em um restaurante de Niterói, numencontro de amigos miracemenses, vivi um daqueles momentos que não se repetem — só se guardam.
Ali reencontrei dois companheiros de quase uma vida inteira:
Alberto Abdala Júnior e João Batista Oliveira Alves.
O brinde foi simples.
Mas carregado de história.
Daqueles que a gente não guarda só na foto — guarda no peito.
E, falando em amizade, não posso deixar de lembrar dele:
Marco Aurélio Motta.
Parceiro de boteco, de música e de boas escolhas.
Porque escolher bem uma cerveja também é uma arte.
Com ele, com Rosália, com Cacá
Motta, já vivi muitas noites campistas embaladas por boa música e melhor ainda companhia.
E para fechar, uma noite especial em Montevidéu.
Outubro de 2016.
Depois de um dia inteiro em Colônia del Sacramento, sentamos para celebrar.
Vinho, churrasco, tango.
E, mais importante, amizade.
Ali estavam Margarida Paes e Lúcia Vieira, amigas-irmãs de quase quatro décadas.
Não era apenas mais uma noite.
Era encontro.
Era história.
Era vida.
No fim das contas, percebi uma coisa:
Não são os bares, nem os cafés, nem as cervejas que fazem a viagem.
São as pausas.
São as pessoas.
São os momentos em que a gente para, levanta um copo e diz — mesmo sem falar:
— Valeu a pena.
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Todos os lugares vale à pena.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirQuando a campanha é boa até a mesa na calçada quente vale a pena
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