Pelas ruas da cidade

 Memória, gírias e ruas: um passeio sem pressa

Recebi hoje um desses vídeos que circulam com velocidade nas redes sociais, especialmente no TikTok e no Instagram. Confesso: ainda estou rindo. Não apenas do conteúdo, mas da minha própria reação — e da Marina, que embarcou junto na brincadeira.

O vídeo serviu como gatilho. Entre risadas, começamos a recriar diálogos de um tempo que parecia esquecido: conversas simples, de banco de jardim, de caminhadas despreocupadas pela Rua Direita, quando o amanhã não tinha tanta pressa. Um tempo de fala direta, sem rodeios — e cheio de gírias que hoje soam quase como um idioma perdido.

Na tentativa de resgatar esse vocabulário, veio a constatação: não é tão simples. As palavras escapam, a memória falha. Fica, então, o convite — quase um apelo — aos “universitários” da vida: que ajudem a reconstruir esse repertório que marcou época.

Na sequência da brincadeira, puxei a Marina para um passeio imaginário. Convidei meu “broto” para uma ida à Rua do Biongo. A missão era simples: comprar um Lancaster, garantir um perfume de respeito e dar aquele trato no visual — afinal, era preciso estar “maneiro”.

A realidade, no entanto, se impôs. Apesar de encontrar um conhecido da velha patota na loja, a negociação esbarrou na falta de recursos. Restou a tentativa clássica de “pendurar a conta”. Sem sucesso.

Como alternativa, surgiu a sugestão: na Capivara, haveria quem vendesse um produto mais em conta — ainda que de procedência duvidosa. A proposta, pouco animadora, foi prontamente descartada. Melhor sair de banda do que investir no “borocoxô”.

Foi nesse ponto que a conversa tomou outro rumo. Marina, alheia às gírias e curiosa com os cenários, quis saber a origem dos nomes das ruas citadas.

E a cidade, como sempre, respondeu com história.

A Rua da Capivara, por exemplo, remetia ao caminho que levava à localidade de mesmo nome — hoje conhecida como Palma. Já a Rua das Flores, ao contrário do que o senso comum sugere, não tem ligação direta com jardins ou paisagens floridas: sua origem é outra, menos óbvia.

A memória avançou mais um pouco. Veio a lembrança da primeira casa própria, situada na curiosamente nomeada Rua do Lixo — um prolongamento da via que nasce na tradicional Rua Direita, no coração da cidade.

E, seguindo adiante, ao dobrar à esquerda, surge a Rua da Laje — grafada com “J” —, que nada mais é do que o caminho em direção a Laje do Muriaé.

Entre risos, lembranças e pequenas descobertas, fica a certeza: há muito ainda a ser contado. Gírias a serem recuperadas. Histórias a serem revisitadas.

E, principalmente, ruas que seguem guardando — em seus nomes — fragmentos de quem fomos.

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