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Conversa de Botequim / 2005

  Publicada em 2005 e o texto mantido. Dedicado a memória de Luiz Edmundo, o nosso eterno Canário. Estávamos, como de costume, tomando a nossa cervejinha do final de semana, no Para-Raio’s Bar, quando o amigo Canário adentrou ao recinto e na bucha perguntou: – O que vocês acham do Carlitos? Fiquei meio embuchado e não respondi, achava que viria por ali mais uma gozação do Canário. Motta, mais distante por ter ido ao banheiro, chegou e ouviu somente o final da pergunta e soltou em seguida: – Foi um dos maiores gênios que vi e um dos pais do cinema moderno. Respondeu achando que satisfazia seu amigo. Não satisfeito com a resposta, o entrante Canário devolveu: – Ele pode ser gênio, mas ainda não jogou nada no Corinthians. Vocês estão acompanhando o noticiário, os argentinos estão liquidando o “Conringão”. Dei uma boa gargalhada e a conversa chegou a todas as mesas e ao balcão, onde Paulinho e Flavinho morriam de rir e colocaram mais fogo na conversa, que começava a ficar animada depo...

Do lado esquerdo do balcão

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    Onde a vida senta à mesa Diz a canção… amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito. Assim cantou Milton Nascimento. E eu, que sempre gostei e cultivo amizades, não poderia ficar apenas na primeira parte de uma crônica que me deu tanto prazer escrever — e mais ainda em continuar, trazendo novos amigos e outros ambientes do mesmo naipe dos já citados. Andei pelos bares do mundo, mas  duvido que tenha encontrado por lá os Notáveis, os amigos do Itaparica, e os irmãos camaradas que retrato aqui neste papo de boteco.  Não será um capítulo solo. Apenas a primeira foto, abrindo a brincadeira — séria, como toda boa brincadeira deve ser. E essa abertura não poderia ser outra: o nosso armazém.  Sagrado encontro das sextas-feiras, onde, desde o fim dos anos 1990, a gente se reúne para conversar, discordar no bom sentido, provocar um ao outro, ouvir as músicas dos anos 1970 — os nossos anos — e, claro, encarar as serestas que o dono da casa, Lenílson, puxa d...

De bar em bar vivendo a vida

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    SEGURA NO BALCÃO DO BAR Tenho sempre o hábito — ou melhor, o prazer — de visitar um bar, uma cantina ou um restaurante durante minhas viagens. E não, não é para “encher a cara”. É para experimentar o lugar. Um vinho, uma cerveja, um café, um quitute qualquer — mas, de preferência, aquele que o morador aponta com convicção: — Esse aqui você precisa provar. Foi assim em  Sintra, Portugal . Disseram-me que ali estava o melhor bolinho de bacalhau da região, acompanhado da melhor cerveja portuguesa. Fui conferir. Pode até não ser o melhor — essas coisas são sempre discutíveis — mas naquele momento, posso garantir: o vinho desceu redondo… e o bolinho, então, nem se fala. Seguir viagem depois disso ficou bem mais fácil. Um café também tem seu valor. E, em  Latina, na Itália , provei um expresso daqueles que não pedem licença: chegam chegando. Forte, encorpado, direto. Perfeito para quem encara uma viagem de vinte e dois dias pela Europa. Fui levado até lá pelo meu primo...

Copa do Brasil = Jogos dos Cariocas

 Cinco  jogos abrem a nova fase da Copa do Brasil, a quinta fase da edição 2026 e aqueles grandes favoritos, de sempre, entram em campo e, para hoje, dois cariocas, também favoritos, são os primeiros a entrarem em campo em busca da ótima premiação da competição.  No primeiro jogo da fase, às 17 horas, hoje é feriado nacional, o Botafogo recebe o adversário de sábado passado, que foi goleado lá na Arena Condá, a Chapecoense, e, pelo que foi no Brasileirão, aqui na Copa do Brasil pode ser novamente um  jogo de goleada. Será? Vamos aguardar.  À noite, 21:30h, é a vez do Vasco entrar em campo, motivado pela grande vitória sobre o São Paulo, no último sábado, o Almirante já está em Belém, a capital do Pará, para enfrentar o Paysandu que joga a Série B do Brasileirão e por isto mesmo devemos ter o time carioca como favorito para seguir em frente.  Os jogos que completam a rodada de hoje: São Paulo x Juventude, 17h, no Morumbi, Barra-SCx Corinthians, 21:30h, Na Re...

O Rio da minha Aldeia

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Texto de Alexandre Pinto Cardoso, médico, miracemense e cronista por intuição e vocação.  Escreve mensalmente no jornal Liberdade de Expressão. Recolho este título do poema de Fernando Pessoa , assinado por seu heterônimo, Alberto Caeiro ,que enseja tantas interpretações e dúvidas . * O Tejo é o mais belo rio que corre pela minha aldeia/Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia .* O Ribeirao Santo Antônio é o mais belo e resistente rio que corta a minha aldeia .Nascido lá pelos lados da Serra das Flores , recebe vários pequenos afluentes antes e depois de atravessar Miracema até se “tornar o Pomba” ,como Kalil Gibran descreve o trajeto de um Rio ao chegar ao oceano, com sua angustia de se acabar, descobre que se transforma em oceano. Debruçado agora, por dever de ofício, a pesquisar e estudar as repercussões da poluição ambiental para a saúde da Humanidade , lembrei-me do meu rio. O aquecimento global coloca pressão sobre os ecossistemas, acelerando ainda mai...

O cartão do Arrascaeta

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Nem pensar em distorcer meu comentário, concordo com o Cartão Amarelo de ontem, para o capitão do Flamengo, usando a Camisa 14 em homenagem ao ídolo do basquete, Oscar. O árbitro cumpriu a regra, tire a camisa e receba um cartão de advertência, tá na regra e por isto concordo.  Discordo quando o cidadão que após fazer um gol tira a camisa, o chamado "manto sagrado", e a joga no chão onde é pisoteada por companheiros e adversários demonstrando uma total falta de empatia com o clube, o patrocinador, que paga caro e no momento mais marcante da visualização de seu produto é apagado por aquele ato ridículo e antipático, este teria que ser Cartão Vermelho e multa com desconto em seus salários.  Mas voltando ao Cartão Amarelo para o Arrascaeta, ontem, no Maracanã, que concordei, mas como temos VAR para todos os momentos, agora é preciso acionar o VAR para os analistas e auditores da CBF e do TJD. Se revogam punições, diminuem penas após julgamento, que tal anular, por decreto, o car...

Resumo do que vi e não vi na rodada 12

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              Entre o apito e o campo Fiquei devendo o pitaco sobre a vitória do Palmeiras na noite de ontem. Não por descaso, mas por coincidência de agenda: o jogo corria praticamente no mesmo horário do Flamengo, com meia hora de diferença, e naquele intervalo eu me dividia entre assistir e escrever sobre o que acontecia no Maracanã — primeiro e segundo tempo já pedindo registro. Mas, no futebol, quem não vê, ouve. E eu ouvi de quem confio: houve pênalti não marcado para o Athletico Paranaense, já perto do fim, lance que poderia muito bem ter mudado o destino da partida. Reclama-se do VAR, como sempre, como se ali estivesse a solução de todos os problemas. Não está. O VAR pode até corrigir um lance, mas não corrige postura, nem compensa o que deixou de ser feito ao longo dos noventa minutos. Também não vi a derrota do Atlético Mineiro em Curitiba, diante do Coritiba. E aí fica a pergunta inevitável: onde encaixar, agora, a arrogância do zagueiro Lya...