Domingo, no país do futebol, ficou musical

Domingo com céu nublado, ventinho fraco, mas daquele tipo que avisa: “lá vem chuva”. Sem chance de dar um pulo em Atafona ou no Farol de São Tomé — gastar dinheiro pra acabar no molhado não é minha praia. Fiquei por aqui mesmo, na poltrona favorita, ouvindo minhas velhas canções e revendo vídeos de grandes orquestras pelo mundo. Eis que, no Spotify, começa a tocar “Aqui é o País do Futebol”, com o genial Wilson Simonal. Na hora pensei: isso dá uma boa coluna. E dá mesmo.

Enquanto o som emenda com “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, do grande Vandré — trilha dos meus anos dourados — me pego refletindo: o Brasil fica vazio numa tarde de domingo sem futebol, não é? Sem bola rolando, seja no campo de terra ou no gramado bem cuidado, sem os noventa minutos de emoção que nos fazem esquecer da vida. Quando a bola rola, tudo fica lá fora. Até o inferno.

E puxando o fio desse pensamento — “olha o sambão, aqui é o país do futebol” — fui atrás de Roberto Ribeiro e acabei encontrando Silvio César, o menestrel, com “Moço Velho”, uma daquelas músicas que parecem conversar diretamente com a gente. O velho moço, que viveu muito, mas não viveu cedo demais; que não sofreu tudo, que não morreu inteiro. Eu? Eu sou alguém livre.

Sou, acima de tudo, um homem que ainda crê no amor. Obrigado, Silvio César. Somos livres, não seremos escravos — e tampouco senhores. A vida segue, o telefone toca e já não atende como antes. Falta coragem para dialogar… não é mesmo, Paulo Diniz? E o domingo avança, com promessa de chuva — quem sabe “Pingos de Amor” caindo sobre a planície goitacá.

Vou nessa. O almoço está pronto. Marina — minha Morena Marina — me chama, enquanto aumento o volume da televisão para cantar junto com Os Incríveis “Molambo”, uma das mais belas páginas da nossa música. Lamento dizer: nem tudo que Augusto Mesquita escreveu cabe no meu mundo. Mas uma coisa é certa — o futebol faz falta. E que volte logo, antes que enlouqueça de vez quem vive dessa paixão. Que volte para fazer o molambo sorrir de novo com o seu Flamengo… embora sempre haja quem prefira vestir azul, na esperança de que a sorte mude.

Fui.

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