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Clássicos são clássicos

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  Dois clássicos. Duas rivalidades que atravessam gerações. E, como sempre, muito mais em jogo do que simplesmente três pontos: está em campo a força, o poder, o orgulho e a capacidade de superação. Em noites assim, qualquer tentativa de apontar favorito soa quase como um palpite vazio. O futebol, especialmente em clássico, não respeita lógica, estatística ou fase. Nem sempre quem joga mais vence — e talvez seja exatamente por isso que a gente não desgruda os olhos. Fla x Flu, no Maracanã, com sua história centenária, suas arquibancadas divididas e emoções que não cabem no peito. De outro lado, o Derby — como eternizou Thomaz Mazzoni ao batizar Corinthians x Palmeiras —, em Itaquera, carregado de tensão, disputa e identidade. São jogos que se explicam por si só. Que dispensam análises apressadas e previsões ousadas. Porque, antes da bola rolar, tudo é possibilidade. E qualquer tentativa de cravar um resultado é, no mínimo, um risco desnecessário. Clássico não se prevê. Clássico se ...

Polêmicas e mediocridade

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Cinco jogos ontem. E eu, ausente com justa causa: 15 anos da neta. Entre um brinde e outro, deixei a bola rolar sem mim. Hoje, junto os cacos do que li e ouvi. Se não foi bem assim, a culpa é das fontes — ou da festa. Remo 1x1 Vasco — Começou com pose, terminou com preguiça. Dizem que o Vasco flertou com algo melhor, mas voltou rápido à velha monotonia, aquela com assinatura conhecida. Mirassol 1x2 Bahia — Quando o assunto é apito, nunca falta enredo. Sobrou reclamação, faltou consenso. O Mirassol, coitado, além da derrota, herdou a lanterna. Santos 1x0 Atlético — Silêncio em Belo Horizonte. E silêncio por aqui, quando é assim, costuma ser respeito ao inevitável. Vitória aceita sem barulho. Inter 0x0 Grêmio — Clássico que prometia e entregou pouco. Li “medíocre”. Assino embaixo, mesmo sem ter visto. São Paulo 0x2 Vitória — Dessa eu não opino. Prefiro aguardar os tricolores de microfone aberto. Eles sempre encontram as palavras — e às vezes as desculpas. No mais, a bola rolou. E eu tamb...

Hoje e dia de Fla-Flu

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  Uma das minhas pautas favoritas, aqui no blog — e também nos tempos em que escrevia para os jornais, onde trabalhei por longos anos — sempre foi o Fla-Flu. Não existe, no Brasil, um jogo com esse apelo, com esse charme. Nem mesmo o Choque-Rei, em São Paulo, o Gre-Nal, em Porto Alegre, o Atle-Tiba, em Curitiba, ou o Galo x Raposa, em Belo Horizonte, carregam o peso e a magia de um Fla-Flu no Rio de Janeiro — e, por que não, em todo o país. Tenho dezenas de crônicas, textos e até registros históricos desses clássicos publicados na Folha, no Diário, no Dois Estados e até em jornais capixabas, onde colaborei por algum tempo. Já contei, inclusive, sobre o primeiro jogo que assisti no Maracanã: aquele 0 a 0 de 1963, em que Marcial brilhou e o Rubro-Negro ficou com o título. Tem também a história do goleiro Dominguez — argentino, como Fillol e o atual Rossi. Diziam que estava “vendido”. Nunca tive como provar, e por isso sempre preferi chamá-lo de irresponsável. Fica mais justo… ou meno...

Sem Fla x Flu mas com GrexNal

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Hoje não tem Fla-Flu. O clássico carioca ficou para amanhã, o que deixou a neta feliz: sem o jogo, o avô e o tio terão atenção total na comemoração dos seus 15 anos.   Mas se o Rio de Janeiro descansa, o Rio Grande do Sul esquenta. Às 20h30, no Beira-Rio, abre-se o Gre-Nal, tão importante para os gaúchos quanto o Fla-Flu para os cariocas. Antes disso, às 16h30, o Barradão recebe Vitória x São Paulo, e o Mangueirão será palco de Remo x Vasco.   E há ainda um jogo que promete mexer com os corações do condomínio da Luna, a aniversariante: Atlético Mineiro x Santos, na Vila Belmiro. Metade dos vizinhos já se prepara para gritar “Galo!”, enquanto a outra metade espera pelo brilho do Peixe.   Assim, entre festa e futebol, o Brasil mostra sua paixão: cada clássico, cada partida, é também parte da vida das famílias que celebram juntas.

História de uma farda

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  TG  217: onde a amizade vestia farda Entre cornetas, broas de amendoim e marchas na Rua Direita, uma geração inteira aprendeu o valor da disciplina, da amizade e da memória. Quando cheguei a Campos, lá pelos anos 80, conheci os irmãos Rangel, proprietários da tradicional Livraria Noblese. Sobrinhos do saudoso Francisco Alves, carregavam no peito um amor declarado por Miracema. Foi o Adaílton Rangel quem me trouxe, com brilho nos olhos, as primeiras lembranças do Tiro de Guerra 217. Todos os irmãos haviam servido ali — e todos guardavam histórias que invariavelmente passavam pelo Bar do Seu Vicente. E aí a conversa já não era mais deles. Era nossa. Muitos ainda me perguntam se servi ao Exército por mais de um ano. Alguns se lembram de mim com a corneta na mão, acompanhando a bateria do TG. Mas minha turma mesmo foi a de 1968 — e, desde já, deixo o aviso: está mais do que na hora de organizarmos o reencontro do cinquentenário dessa rapaziada. Volto ainda mais no tempo. Sentado...

Reflexão:Mudou a política?

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A gente envelhece — e, junto com os cabelos brancos, chegam algumas verdades que antes passavam despercebidas. Nem todas são boas. Algumas vêm com um certo amargor, como aquela lembrança que insiste em voltar. A minha tem endereço certo: Miracema. Mais precisamente, a Praça Ary Parreiras — meu mundo de menino, minha casa por perto e o bar do meu avô, Vicente Dutra, como extensão da vida. Com o tempo, a gente também aprende que memória não falha por acaso. Às vezes, ela se esconde. Protege. Adia. Até o dia em que resolve aparecer — inteira, incômoda, definitiva. E talvez tenha sido justamente ali que eu me afastei da política. Curioso, porque tudo indicava o contrário. Nos anos 60, fui garoto de recados da Câmara de Vereadores. Cresci cercado por homens que, goste-se ou não de suas ideias, sabiam o peso da palavra “representante”. Nomes que marcaram época — e que me fizeram, por um instante, imaginar que aquele também poderia ser o meu caminho. Entre eles, uma figura especial: Altivo Me...

O idioma do futebol

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                  Fundo do Baú        O idioma do futebol Futebol é assunto obrigatório em qualquer roda de bar. Hoje, com a doce presença feminina — cada vez mais forte, inclusive nas mídias esportivas — o papo ganhou novos olhares e um toque de sutileza bem interessante. Por onde passo, sempre tem um amigo puxando conversa. Como o médico Augusto Tadeu Cardoso, profundo conhecedor do tradicional “esporte bretão”, que vive me abastecendo com boas ideias para essas prosas. Mas afinal, o que é o tal “esporte bretão”? Bom começo de conversa. De onde vem o futebol? Da Inglaterra, certo? E onde fica a Inglaterra? Na Grã-Bretanha, confere? E como são chamados os nascidos lá? Bretões. Pronto: o “esporte bretão” foi importado da Bretanha e chegou ao Brasil pelas mãos de Charles Miller, que retornou ao país trazendo na bagagem duas bolas, um par de chuteiras e um livro de regras. Estava plantada a semente. Já que a origem está reso...