Um presente do passado


Um presente do passado

Dizem os pseudoespecialistas e psicólogos de redes sociais que viver do passado traz tristeza e melancolia. Posso até concordar em parte com essa afirmação. Mas também tenho uma convicção que a contradiz.

Reviver um passado feliz nos faz um enorme bem. Traz de volta belas recordações, renova a alma e, muitas vezes, evita que precisemos nos sentar na poltrona de um analista para buscar respostas que já estavam guardadas na memória.

Que o digam as "Meninas & Meninos" do Colégio de Pádua.

Depois de tantos anos, aqueles que conviveram entre 1964 e 1970 voltaram a se encontrar. O primeiro reencontro foi um sucesso. Neste ano, a alegria reapareceu ainda maior, com a presença de amigos que não puderam participar da festa anterior.

O segundo encontro da Turma do Colégio de Pádua (1964–1970), realizado no sábado, 11 de julho de 2026, Pesque e pague do Celso Sardenberg, em Santo Antônio de Pádua, reuniu cerca de quarenta amigos — não contei, mas foi esse o número que me passaram. Amigos que o tempo transformou em irmãos de vida.

A música esteve presente o tempo todo. Houve quem dançasse, quem apenas ouvisse e quem preferisse conversar. Em determinado momento, até um velho blues tomou conta do ambiente. Fez-se um silêncio quase absoluto. Ouviam-se apenas o leve tilintar das taças e dos copos de vinho, refrigerante, água ou cerveja e o pulsar acelerado — e já um pouco cansado — dos corações daqueles amigos, acomodados pelo amplo salão.

De repente, a tranquilidade foi interrompida.

— Agora é o bingo!

Era a neta de Joaquina e Maurício  Padilha anunciando mais um momento de descontração. Todos ganharam brindes e, mais importante do que isso, receberam aplausos calorosos e sinceros. Pequenas vitórias que fizeram daquele sábado uma grande festa.

Prometi a mim mesmo que não citaria nomes. Abro uma exceção apenas para Joaquina e Maurício Padilha, anfitriões da festa e, ao lado de outros colaboradores, idealizadores desse reencontro tão especial.

Não pertenço à turma. Sou apenas amigo de muitos daqueles homens e mulheres — inclusive me casei com uma das "meninas" do Colégio de Pádua.

E volto a citar Amaury por uma razão muito particular. Cruzamos nossos caminhos pelos gramados da vida. Ele, defendendo o gol com a mesma dedicação, fosse no Flamengo, no Americano ou no Goiás Esporte Clube. Eu, do lado de fora das quatro linhas, com um microfone na mão, levando o futebol pelo rádio.

São lembranças que o tempo não apaga.

A festa entrou pela madrugada? Claro que não.

Começou pontualmente à uma da tarde e terminou às sete da noite. Afinal, já não temos o mesmo fôlego para atravessar madrugadas entre música, conversa e copos erguidos. Hoje, a vontade continua enorme; o corpo é que pede um pouco mais de juízo.

Saí de lá com a certeza de que o passado, quando revisitado com carinho, não aprisiona ninguém. Pelo contrário: fortalece amizades, alimenta o coração e nos lembra de quem fomos para entendermos melhor quem ainda somos.

Obrigado, "Meninas & Meninos" do Colégio de Pádua, por me receberem com tanto carinho.

Mesmo não sendo um de vocês, senti-me parte daquela turma.

Nem que fosse apenas como o fotógrafo oficial das lembranças.

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