A Argentina não chorou por você...
Em um cantinho do Armazém, um dos "Pachecos" colocou para tocar, creio
que no celular, "Não Chores por Mim, Argentina...", justamente no momento em que o Egito fazia 2 a 0 — aquele gol que, depois, acabou anulado.Na mesma hora, JP, o novo filósofo do boteco, disparou:
— Não agoura, não! Isso ainda vai dar uma guinada de cento e oitenta graus, e o Messi vai liderar a virada.
Veio então o segundo gol egípcio, desta vez valendo. E, novamente, o rapaz soltou a canção eternizada pelo filme que conta a história de Eva Perón, a musa de muitos hermanos.
JP apenas sorriu e, desta vez mais baixinho, para que somente eu e outro companheiro ouvíssemos, comentou:
— Ele continua cutucando a onça de longe...
Com a vantagem de 2 a 0, o Egito acreditou que o jogo estava decidido. Recuou ainda mais, abriu mão dos contra-ataques — que só voltariam a aparecer depois do empate — e entregou a bola justamente para quem menos poderia receber esse presente.
Messi chamou a responsabilidade. A partir dali começou um recital.
A Argentina virou o jogo em menos de vinte minutos, com gols rápidos, trabalhados e construídos com o talento de quem tem futebol de sobra para resolver qualquer situação. Confirmou, mais uma vez, que pratica hoje o melhor futebol do Planeta Bola, faz jus ao título de campeã do mundo conquistado em 2022 e continua sendo, para mim, a principal favorita ao bicampeonato.
Foi uma vitória justa. E, de quebra, destruiu um sonho que muitos alimentavam por aqui.
Que sonho?
O de ver mais uma seleção sul-americana voltar da Copa do Mundo.

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