O som do futebol
Entre o grito e o gol eu fico com o silêncio
Tudo bem, minha gente. Prometo que não é implicância — ou pelo menos não só isso. Mas há coisas que o tempo muda… e há outras que ele simplesmente atropela.
E o rádio, ah… o rádio.
Outro dia desses me peguei pensando nisso enquanto assistia — ou tentava assistir — a mais um jogo dessa tal nova era das transmissões esportivas. Rádio e televisão disputando não mais a emoção do lance, mas a altura do grito. Uma batalha de decibéis onde, confesso, tenho saído derrotado.
Sou do tempo em que o rádio não gritava — ele contava. Narrava como quem segura o ouvinte pela mão e o levava até o gol. Havia pausa, respiração, silêncio… e, justamente por isso, emoção de sobra. O gol vinha como um clímax, não como um susto.
Hoje, parece que tudo é gol. Tudo é grito. Tudo é urgência.
Os narradores brigam entre si, disputam espaço, atropelam o próprio jogo. Há um — careca, da TNT — que lidera essa orquestra desafinada. Do outro lado, os bem pagos da grande emissora seguem a mesma partitura: volume máximo, intensidade constante, como se o controle remoto estivesse sempre quebrado.
E eu, que vivi quase cinquenta anos nesse meio, me vejo fazendo algo curioso: assisto no mudo… e narro por dentro. Volto a ser aquele garoto que imaginava o jogo, só que agora com a experiência de quem já esteve do outro lado do microfone.
Na Copa do Mundo de Clubes, então, o espetáculo paralelo tem sido esse: quem grita mais, quem aparece mais, quem chama mais atenção. Globo de um lado, CazeTV do outro, como se estivessem disputando não a audiência, mas o ouvido do chefe. “Será que o Casemiro gosta assim?” — alguém deve perguntar. E, na dúvida… grita.
Mas nem tudo está perdido. Ainda há quem respeite o ofício. No SporTV, vozes como Paulo Andrade e Odinei Ribeiro seguem firmes, lembrando que narrar não é competir — é conduzir. É dar ritmo ao jogo, não atropelá-lo.
E há aqueles outros… os “chatos de galocha”, como diríamos antigamente. Esses, felizmente, o controle remoto resolve sem esforço.
O curioso é que, em meio a tudo isso, ainda sobra tempo para criticar as meninas narradoras.
Talvez o problema nunca tenha sido quem narra.
Talvez seja o barulho que deixamos ocupar o lugar da emoção.
Porque, no fim das contas, o bom rádio — aquele de verdade — não precisava gritar.
Ele bastava falar.

E agora nos canais na internet passam o tempo pedindo "like" para cumprir a meta; como também para assinar o canal; e agradecendo, atendendo pedido de alô..
ResponderExcluirSó atenddm quem elogia ou fala abobrinha
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