Baú do Penacho-Sertão da Paraíba
Às seis da manhã, quando o despertador tocou com aquela falta de piedade característica dos horários impróprios, eu me fiz a clássica pergunta existencial: "Quem foi que eu tentei impressionar aceitando esse bate-volta?". Cinco horas de ônibus para ir, cinco horas para voltar. Meu corpo já doía só de olhar para a poltrona, que parecia ter sido projetada por alguém com profundo desprezo pela anatomia humana. A guia, uma criatura animada que devia ser movida a energia solar e cafeína pura, prometia o paraíso: Cabaceiras, a "Roliúde Nordestina". Eu só pensava que o roteiro da minha vida naquele momento era, na verdade, "A Volta dos que não têm Juízo". Mas, veja bem, o Sertão é um trambiqueiro da beleza. Ele te convence a aceitar o desconforto usando como suborno um horizonte de caatinga que, a cada quilômetro, te deixa com cara de tacho. Você olha para fora da janela e pensa: "Credo, que seca". Cinco minutos depois: "Gente, que misticismo...