Opinião: Fim das Bets
O fim das bets acaba com o problema?
Sobre o fim das bets no Brasil, tenho opinião formada — não exatamente como cantava Raul Seixas —, mas tenho meu pensamento sobre o tema e, principalmente, sobre os problemas de uns e as soluções de outros que essa decisão representa.
Não sou defensor das apostas. Sei que muita gente se vicia e passa a acreditar que encontrará nelas a solução para seus problemas financeiros. Mas isso não nasceu com as bets. Já existia no baralho, na sinuca, nos dados, no jogo do bicho e nos cassinos clandestinos.
E aí surge minha primeira dúvida: proibidas as bets legalizadas, o apostador compulsivo simplesmente deixará de apostar?
Ou procurará outros caminhos, inclusive aqueles que funcionam à margem da lei?
Há também o outro lado dessa moeda: o futebol.
Clubes brasileiros firmaram contratos, fizeram planejamentos e assumiram compromissos contando com receitas de patrocínio das empresas de apostas. Para alguns, a perda será enorme; para outros, significará dificuldades financeiras. E certamente haverá quem tenha de rever investimentos, salários e contratações.
Solução? Confesso que não a tenho.
Mas tenho uma pergunta: se havia empresas autorizadas pelo próprio poder público, contratos assinados e prazos de validade estabelecidos, não seria razoável criar uma transição que levasse tudo isso em consideração?
E existe ainda um lado que não aparece estampado nas camisas dos clubes: os trabalhadores.
Por trás das bets existem milhares de empregos diretos e indiretos, gente que trabalha honestamente e depende do salário no fim do mês. O que acontecerá com essas pessoas?
Por outro lado, é impossível ignorar as famílias atingidas pelo vício das apostas, pelo endividamento e pela ilusão do dinheiro fácil. Para muitas delas, o fim das bets poderá representar um alívio.
Mas volto à pergunta que mais me incomoda: e o apostador compulsivo?
Ele deixará de apostar porque a bet legalizada desapareceu do celular? Haverá tratamento, prevenção e acompanhamento para quem desenvolveu dependência? Ou simplesmente fecharemos a porta da frente enquanto o jogo clandestino abre a porta dos fundos?
Não tenho a solução.
Tenho dúvidas.
E, às vezes, antes de comemorar uma solução, é preciso perguntar quantos novos problemas ela poderá criar.
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