Fla x Flu: inesquecível e esquecíve
Eu estava lá e vi
Nos dias de Fla x Flu, eu me vejo novamente nas arquibancadas do Maracanã, sempre lotadas, tomadas por bandeiras e cânticos que ecoavam dos dois lados do estádio. Nesses dias, fico pensando como era bonito aquele espetáculo do futebol, que levava ao gramado grandes craques e produzia histórias para a eternidade.
Lembro do Fla x Flu de 1963, a decisão do Campeonato Carioca daquele ano, disputada diante de um público recorde. Anunciaram cerca de 195 mil torcedores, em números arredondados. Foi uma partida emocionante, decidida não por um gol, mas por uma defesa espetacular do goleiro rubro-negro Marcial, justamente quando os tricolores já gritavam o "gol de Escurinho".
O empate sem gols garantiu o título ao Flamengo, e a festa de mais da metade do estádio se espalhou pelos arredores do Maracanã, que já levava oficialmente o nome de Mário Filho. As emissoras de rádio do Rio transmitiam ao vivo a celebração rubro-negra pelas ruas próximas ao Maior Estádio do Mundo. Eu estava lá, ao lado do meu pai, Zebinho Dutra. Foi meu primeiro Fla x Flu ao vivo e em cores. Inesquecível.
Mas houve também um Fla x Flu esquecível para o torcedor. Foi a decisão de 1969, igualmente vista das arquibancadas do Maracanã. Um jogo que, paradoxalmente, renderia uma das mais belas crônicas de um dos maiores torcedores do Fluminense, o dramaturgo e cronista Nélson Rodrigues. Na segunda-feira seguinte, ele escreveria "Chega de Humildade", texto que muitos tricolores consideram a mais bela homenagem ao título conquistado naquele ano.
A derrota rubro-negra por 3 a 2 pode ser debitada, em grande parte, ao goleiro Dominguez. Até hoje não se sabe exatamente o que aconteceu, mas o argentino foi expulso e, mais tarde, acabou banido da Gávea. O Flamengo lutou, buscou um suado empate em 2 a 2, enquanto Félix fazia milagres no gol tricolor. Mas, no fim da partida, Flávio Minuano acertou um chute indefensável para Sidnei, que havia entrado no lugar de Dominguez. Era o gol da vitória do Fluminense.
Eu vi tudo. Estava lá. Desta vez, por conta própria e sozinho.
Esquecível.
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