Os Imortais e Notáveis do nosso futebol
Passei alguns dias na minha querida Miracema. Coisa de quem ama a cidade e ainda a carrega no coração. Claro que esse privilégio vale para quem tem onde ficar ou consegue uma vaga nos poucos hotéis e pousadas da terrinha — algo que, sinceramente, precisa ser revisto com certa urgência.
Em um daqueles bons papos, sentado no meu banco preferido, no Jardim da Praça Dona Ermelinda, um jovem amigo, leitor aqui do blog e seguidor no Facebook, se aproximou para contestar a minha seleção dos melhores jogadores de Miracema — aquela lista baseada no tempo em que joguei, vi e vivi o futebol da cidade, entre os anos 1960 e 1985, quando me transferi para Campos dos Goytacazes.
Aceitei a contestação, claro, e perguntei qual era a dúvida.
Meu jovem amigo, José Roberto Ferreira — que já ganhou um abraço ao vivo, mas fez questão de ser citado por aqui — foi direto ao ponto:
— Você não escalou Ronzê no ataque, nem Biluzinho na meia ou na ponta esquerda.
Sorri e respondi:
— Acho que houve um engano aí, meu camarada. Não me lembro exatamente quem escalei ao lado de Genuíno, mas tenho certeza de que ele estava no time.
E José Roberto, mostrando que talvez não tenha conhecido de perto o verdadeiro futebol de Miracema, respondeu:
— Um tal de Cabeludo.
Aí eu entendi tudo.
Pois bem, Zé Roberto, como prometi, aqui vai a resposta, agora registrada por escrito.
Esse “tal de Cabeludo” foi simplesmente um dos maiores jogadores que esta região já viu. Milton Cabeludo foi, para muitos, o maior camisa 10 do futebol miracemense, ídolo também em Itaperuna e em toda a região Noroeste Fluminense.
Por isso, meu caro, reafirmo aqui — e já lanço o debate para os mais antigos — o meu time de todos os tempos de Miracema. Uma seleção que eu gostaria de ter visto reunida, brilhando junta, talvez até vencendo em centros maiores.
No gol, Rubinho Camelo.
Na defesa: Evandro Monteiro, Batista Leite, Eduardo Piaza e João Campeão.
No meio-campo: Alvinho, Manoel Lima e Ademir.
No ataque: Genuíno, Brazinho e Milton Cabeludo.
Claro que essa escalação vai gerar controvérsia. E ainda bem. Futebol também vive disso: memória, paixão e divergência de opinião.
E já deixo outra provocação: se quiserem, na próxima eu escalo meu Vasquinho, depois o Esportivo, para o deleite dos meus contemporâneos.
Para fechar, lanço um desafio aos mais novos — especialmente à turma que acompanhava a Rádio Princesinha entre 1982 e 1985, período em que tive o prazer de trabalhar por lá: mandem suas seleções dos melhores dos anos 1980.
E aí, sim... com Ronzê e Biluzinho no time.

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